Imagine uma sala com 20 jovens que acabaram de concluir o Ensino Médio. Apenas três deles se formaram dominando os conteúdos esperados de matemática. Esse é o cenário de Mato Grosso do Sul revelado pelo Índice de Inclusão Educacional (IIE), divulgado nesta segunda-feira (2).
O Estado ocupa a 18ª posição no ranking nacional, com apenas 16,6% dos estudantes apresentando aprendizado adequado em matemática ao fim da educação básica. A média brasileira, que já é considerada baixa, é de 21,4%. Na prática, o dado indica que a maioria dos jovens sai da escola com dificuldades para resolver situações cotidianas, como calcular porcentagens ou interpretar gráficos.
O levantamento mostra que nenhum estado brasileiro atingiu um patamar considerado satisfatório em matemática, já que nenhum ultrapassou 30% de estudantes com desempenho adequado. O melhor resultado foi registrado no Paraná, com 28,1%, enquanto o pior desempenho ficou com o Amapá, onde apenas 8,2% dos alunos alcançaram o nível esperado.
No Centro-Oeste, Goiás lidera com 27% e aparece como o terceiro melhor do País. Em seguida estão o Distrito Federal, com 22,5%, Mato Grosso do Sul, com 16,6%, e Mato Grosso, com 14,8%.
O próprio estudo define o cenário nacional como um “apagão” no ensino de matemática. Enquanto a língua portuguesa apresentou leve avanço, chegando a 27,9% de aprendizado adequado, a matemática teve queda nacional de 4,1 pontos percentuais. Para os responsáveis pelo índice, o problema vai além dos impactos da pandemia e está ligado à dificuldade de recuperar conteúdos, já que a disciplina exige domínio progressivo de conhecimentos ao longo das séries.
A pesquisa também destaca que o Brasil conseguiu estruturar políticas voltadas à alfabetização em língua portuguesa, mas ainda carece de uma política nacional específica para o ensino de matemática. Atualmente, 81,6% dos estudantes estão abaixo do nível básico nessa área, o que inclui dificuldades em tarefas simples, como interpretar gráficos ou calcular descontos.
Além do desempenho acadêmico, o IIE avalia a trajetória escolar dos alunos. Em Mato Grosso do Sul, o índice geral de inclusão educacional — que considera matrícula, série adequada e aprendizado esperado — caiu de 18,9% em 2019 para 11,2% em 2023, mantendo o Estado na 18ª posição nacional.No recorte regional, Mato Grosso do Sul aparece atrás de Goiás, com 19%, e do Distrito Federal, com 17,4%, superando apenas Mato Grosso, que registrou índice de 10,3%. O melhor desempenho nacional em 2023 foi novamente do Paraná, com 20,4%, o que significa que, mesmo no topo do ranking, apenas dois em cada dez jovens alcançam a inclusão educacional plena.
Os piores resultados foram observados no Amazonas, Maranhão e Roraima, todos com 6,6%.Segundo o estudo, o baixo desempenho não se explica apenas pelas notas em provas. Em Mato Grosso do Sul, um dos principais entraves é o atraso escolar: 35,3% dos estudantes estão dois anos ou mais fora da série adequada. Além disso, cerca de 9,3% dos jovens em idade escolar não estão matriculados no Estado.
