A defesa do ex-prefeito Alcides Bernal protocolou pedido na Justiça para limitar a exposição pública do caso antes do julgamento. Em petição recente, o advogado Gledson Alves de Souza, que passou a integrar a equipe, solicitou acesso integral aos autos e a decretação de sigilo, ao menos parcialmente, sobre trechos considerados sensíveis do processo.
O principal alvo da solicitação são vídeos de câmeras de segurança e o interrogatório do investigado, que, segundo a defesa, vêm sendo amplamente divulgados. A estratégia busca evitar que Bernal seja “julgado” previamente pela opinião pública, antes da análise formal do Judiciário.
No documento, a defesa classifica a circulação do material como um “vazamento em escala industrial” e sustenta que a exposição contínua pode comprometer a imparcialidade do julgamento. Por isso, pede que a Justiça adote medidas para impedir novas divulgações e resguardar elementos do processo.
A preocupação central é o possível impacto sobre um futuro júri, que poderia ser influenciado por conteúdos já difundidos fora dos autos. O pedido ainda aguarda decisão judicial.
Paralelamente, o inquérito policial foi concluído e encaminhado à Justiça. De acordo com a Polícia Civil, Bernal teria atirado com intenção de matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde de 24 de março. O delegado Danilo Mansur manteve o indiciamento por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo, já que o registro do revólver calibre 38 e a autorização estavam vencidos.
Segundo a investigação, a vítima chegou ao imóvel acompanhada de um chaveiro e entrou após a abertura do portão. Cerca de 40 minutos depois, Bernal teria chegado, retirado um revólver da caminhonete e ingressado na residência já armado. Em poucos segundos, após avançar em direção à área interna, ocorreu o primeiro disparo.
A defesa sustenta que o ex-prefeito agiu em legítima defesa. Em interrogatório, Bernal afirmou que atirou após se sentir ameaçado. Já o relato do chaveiro e as imagens analisadas pela polícia indicam que a vítima não teve tempo de reagir, versão que diverge da apresentada pelo investigado.
Parte da dinâmica dos fatos ainda depende de perícia. O laudo das imagens de segurança e exames complementares devem esclarecer pontos como a distância dos disparos e a sequência dos घटनos. Conforme o delegado, um relatório adicional será encaminhado à Justiça após a conclusão dessas análises.

