Uma operação da Polícia Federal (PF) realizada na manhã desta quarta-feira (18) resultou na apreensão de produtos ilegais, incluindo canetas emagrecedoras proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Camelódromo de Campo Grande.
Entre os itens encontrados estão produtos como T.G. 15, Lipoless 15 e Glow GHK CU, da marca Alluvi Healthcare, cuja comercialização é vetada no Brasil.
A ação integra a Operação Judas Iscariotes, que investiga um esquema de contrabando com possível participação de agentes de segurança pública. Segundo a PF, o grupo atuava facilitando a entrada de mercadorias ilegais no país.
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva nas cidades de Campo Grande e Sidrolândia. Além disso, quatro boxes do Camelódromo — pertencentes à mesma família — foram interditados, com apreensão de diversos produtos.
Um funcionário do local, que preferiu não se identificar, afirmou que fiscalizações desse tipo têm se tornado mais frequentes. A última, segundo ele, ocorreu há cerca de seis meses.
“Hoje apreenderam celulares e outros itens irregulares. Não posso dar mais detalhes”, disse.
Esquema envolvia agentes públicos
As investigações apontam que policiais, tanto da ativa quanto aposentados, estariam envolvidos no esquema, atuando em diferentes frentes. Eles teriam usado a influência dos cargos para vazar informações sigilosas e facilitar o transporte das mercadorias contrabandeadas.
A operação também cumpriu mandados em residências, delegacias da Polícia Civil e outros pontos ligados aos investigados.
O grupo utilizava veículos adaptados para ocultar os produtos ilegais, numa tentativa de burlar fiscalizações. Parte das mercadorias tinha como destino o estado de Minas Gerais.
Grande operação
Com autorização do Ministério Público Federal, a Justiça Federal determinou uma série de medidas, incluindo:
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31 mandados de busca e apreensão
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4 prisões preventivas
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1 monitoramento eletrônico
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2 afastamentos de funções públicas
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6 suspensões de porte de arma
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Bloqueio de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, somando R$ 40 milhões
Entre os bens atingidos estão imóveis, veículos e empresas ligadas aos investigados.
Ao todo, cerca de 90 ordens judiciais foram cumpridas, com a participação de mais de 200 policiais, em cidades de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
A operação contou ainda com o apoio de corregedorias e forças de segurança, como Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.
As investigações continuam e podem identificar novos envolvidos no esquema.
Funcionamento segue normal
Apesar da operação, o funcionamento do Camelódromo não foi totalmente interrompido. Segundo representantes dos comerciantes, a ação foi pontual e, após a retirada das mercadorias e interdição dos boxes investigados, os demais lojistas puderam retomar as atividades normalmente.
