O período de 30 dias da janela partidária terminou nesta sexta-feira (3) com intensa movimentação política em Mato Grosso do Sul, redesenhando a correlação de forças na Assembleia Legislativa e consolidando a base de apoio ao governador Eduardo Riedel (PP).
Dos 24 deputados estaduais, 13 trocaram de partido no intervalo em que a mudança de legenda pode ser feita sem risco de perda de mandato. Já na bancada federal, as alterações ocorreram apenas na Câmara dos Deputados, que deixou de ter representantes do PSDB.
As movimentações reforçaram os partidos que devem compor o arco de alianças do governo. Além do PL, sob liderança do ex-governador Reinaldo Azambuja, e do Progressistas, ligado à senadora Tereza Cristina, o Republicanos ganhou protagonismo ao absorver parte significativa dos aliados.
Assembleia Legislativa
O PL passou a ocupar posição de destaque ao se tornar a maior bancada da Casa. A sigla iniciou a janela com três parlamentares e encerrou o período com sete cadeiras, assumindo protagonismo antes exercido pelo PSDB. Apesar da saída de João Henrique Catan, que migrou para o Novo, o partido atraiu nomes importantes, incluindo Mara Caseiro, Paulo Corrêa, Zé Teixeira e Márcio Fernandes, além do retorno de Lucas de Lima. Permaneceram na legenda Coronel David e Neno Razuk.
O Republicanos foi o partido que mais cresceu proporcionalmente, saltando de um para quatro deputados. Além de Antônio Vaz, a legenda passou a contar com Pedro Pedrossian Neto, Renato Câmara e Roberto Hashioka, que deixaram outras siglas.
A federação formada por União Brasil e PP também reúne quatro parlamentares. O PP ampliou sua presença com a filiação de Jamilson Name, somando-se a Gerson Claro e Londres Machado. Já o União Brasil manteve Rinaldo Modesto.
O PSDB, por sua vez, teve redução significativa e terminou a janela com três deputados: Pedro Caravina, Lia Nogueira e Paulo Duarte, recém-filiado após deixar o PSB.
Outras mudanças incluem a filiação de Lidio Lopes ao Avante, partido que passa a ser presidido por ele no Estado. O MDB foi o mais afetado negativamente, ficando com apenas Junior Mochi após as saídas registradas. O PT foi o único que não sofreu alterações e mantém sua bancada com três parlamentares.
Bancada federal
Na Câmara dos Deputados, a principal mudança foi o esvaziamento do PSDB. Beto Pereira foi o primeiro a deixar a legenda. Na sequência, Dagoberto Nogueira também se desfiliou e ingressou no PP, ampliando a bancada da sigla. Já Geraldo Resende migrou para o União Brasil, fortalecendo a federação com o Progressistas.
No Senado, não houve mudanças. Soraya Thronicke chegou a cogitar deixar o Podemos, mas decidiu permanecer na legenda.
Governo e aliados
As mudanças partidárias também atingiram o Executivo estadual. O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, deixou o PSD e se filiou ao Republicanos, movimento que reforça a estratégia de composição para a reeleição.
O ex-secretário Jaime Verruck seguiu caminho semelhante ao migrar para o Republicanos após deixar o governo para disputar vaga na Câmara dos Deputados. A decisão ocorreu após reavaliação diante do aumento de nomes na federação entre União Brasil e PP.
Entre os ex-integrantes do primeiro escalão, Marcelo Miranda trocou o PSDB pelo PP, enquanto Viviane Luiza fez o movimento inverso, saindo do Progressistas para ingressar no PSDB. Já Eduardo Rocha deixou o MDB após mais de três décadas e se filiou ao PSDB.
A janela também marcou a saída da ex-ministra Simone Tebet do cenário político sul-mato-grossense. Ela transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo e trocou o MDB pelo PSB, visando nova disputa ao Senado.

