A declaração da vereadora Ana Portela (PL), que chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “bandido”, provocou reação de integrantes do PT em Campo Grande, que passaram a acusar a parlamentar de manter parentes nomeados em seu gabinete na Câmara Municipal.
Segundo os críticos, a vereadora teria contratado familiares próximos para cargos comissionados, com salários que variam de pouco mais de R$ 10 mil a cerca de R$ 13 mil. As informações constam no Portal da Transparência da Casa de Leis.
A polêmica teve início após a Câmara aprovar, na última quinta-feira (19), a concessão do título de “Visitante Ilustre” ao presidente, que esteve na Capital no fim de semana para participar de evento internacional. Contrária à homenagem, Ana Portela fez críticas públicas ao chefe do Executivo federal.
Em resposta, lideranças petistas divulgaram vídeos nas redes sociais questionando as nomeações no gabinete da vereadora. Entre os nomes citados estão o cunhado, que ocupa a chefia de gabinete, a concunhada, nomeada como assessora parlamentar, e um primo, também assessor.
Os opositores ironizaram o discurso político da parlamentar, associando-o às contratações de familiares. Eles também levantaram questionamentos sobre a existência de profissionais qualificados fora do círculo familiar para ocupar os cargos públicos.
O episódio reacendeu debates sobre nepotismo na administração pública. A prática é considerada irregular e pode ocorrer de diferentes formas, como a nomeação direta de parentes, a contratação indireta sem comprovação de influência ou ainda a troca de favores entre autoridades.
A legislação brasileira classifica o nepotismo como ato de improbidade administrativa. Entre as penalidades previstas estão a anulação das nomeações, perda do cargo público, suspensão dos direitos políticos e aplicação de multa.
Procurada, a vereadora não se manifestou até o momento.
