A medida foi publicada no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul desta segunda-feira (23) e assinada pelo corregedor-geral da Polícia Civil, delegado Clever José Fante Esteves.
De acordo com a publicação, o afastamento ocorre em cumprimento à decisão judicial que decretou a prisão preventiva dos servidores, no âmbito de investigação conduzida pela Justiça Federal. O inquérito apura a participação de agentes públicos em um esquema de contrabando de mercadorias e lavagem de dinheiro.
Além da retirada das funções, a Corregedoria determinou o recolhimento de arma funcional, carteira policial e outros itens institucionais, assim como a suspensão de acessos a sistemas internos da corporação.
Também foi instaurado procedimento disciplinar para apurar a conduta dos investigadores. A decisão tem efeito retroativo a 18 de março de 2026, data em que os mandados de prisão foram cumpridos.
A Polícia Civil informou que o caso segue sob análise correcional e que as investigações continuam.
Na última sexta-feira (20), já haviam sido publicadas as dispensas das funções de chefia ocupadas pelos dois servidores. Manga Rosa atuava na Delegacia de Sidrolândia, enquanto Quevedo estava lotado na 5ª Delegacia da Capital — locais onde também foram cumpridos mandados de busca.
Durante a operação, cerca de 200 policiais federais cumpriram aproximadamente 90 ordens judiciais, incluindo 31 mandados de busca e apreensão, quatro prisões preventivas, medidas de monitoramento eletrônico, afastamentos de função pública, suspensões de porte de arma e bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas que somam cerca de R$ 40 milhões.
As investigações apontam a existência de um esquema envolvendo policiais civis e militares, da ativa e aposentados, voltado ao transporte de mercadorias ilegais e à ocultação de recursos por meio de lavagem de dinheiro.
Mandados também foram cumpridos em imóveis no Bairro Universitário, em um condomínio de alto padrão, além de boxes em centro comercial popular e lojas em um posto de combustíveis ligados a investigados.
Segundo apurado, os policiais atuariam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas oficiais até o transporte físico de mercadorias, com uso da função pública para beneficiar o grupo criminoso.
Célio foi preso na unidade de Sidrolândia, para onde havia sido transferido após ser alvo de outra operação em 2024. Anos antes, também havia sido investigado em ação relacionada à exploração de jogos ilegais, mas acabou absolvido em instâncias judiciais.
Já Quevedo cumpria medidas cautelares desde 2024, quando foi preso por descaminho. Na ocasião, foi flagrado transportando mercadorias sem documentação fiscal, pagou fiança e respondia ao processo em liberdade.
