A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, em regime de urgência, uma alteração na Lei Complementar nº 2.909, de 28 de julho de 1992 — a chamada Lei do Silêncio — que amplia as áreas com restrição de ruídos na cidade. Com a mudança, passa a ser proibida a emissão de som em um raio de 200 metros de 2.115 templos religiosos.
Antes da alteração, a chamada “zona de silêncio” era aplicada apenas no entorno de hospitais, escolas, bibliotecas públicas e unidades de saúde, garantindo maior controle sobre a poluição sonora nesses locais.
A inclusão dos espaços religiosos foi proposta pelo vereador Wilton Celeste Candelorio (Avante), conhecido como Leinha. Na justificativa, ele argumenta que não há diferença entre templos e outros ambientes que já contam com proteção acústica, já que todos são voltados à concentração de pessoas, seja para estudo ou práticas espirituais.
O projeto foi aprovado no dia 24 de fevereiro, após análise das comissões durante sessão plenária, que consideraram a proposta regular.
Segundo o autor, as igrejas já precisam cumprir regras de limite de horário e intensidade de som, estando sujeitas à fiscalização e multas. A nova medida, de acordo com ele, busca garantir equilíbrio, exigindo também respeito da vizinhança durante os momentos de culto.
A proposta, porém, enfrenta resistência. O vereador Jean Ferreira (PT) defende que o texto seja vetado pela prefeita Adriane Lopes (PP). Ele avalia que a mudança pode gerar impactos econômicos, atingindo cerca de 2.600 bares e restaurantes e colocando em risco aproximadamente 3 mil empregos, além de interferir em eventos tradicionais como Carnaval, festas juninas e celebrações de fim de ano.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Campo Grande possui 2.115 estabelecimentos religiosos, o que amplia significativamente as áreas sujeitas à nova regra. Críticos também apontam que o impacto pode ser desigual entre bairros, especialmente naqueles com maior concentração de templos.
Em resposta, o autor do projeto nega motivação política e afirma que a medida não favorece grupos específicos. Ele destaca ainda que a restrição de ruídos será válida apenas durante os horários de culto, que costumam ocorrer de duas a três vezes por semana.
O texto agora aguarda decisão do Executivo municipal, que pode sancionar ou vetar a proposta.
