Conversa menciona repasse de cerca de 160 quilos; defesa de ex-chefe da delegacia nega participação
Uma conversa citada pelo Gaeco em denúncia à Justiça indica um suposto acordo entre um traficante e policiais civis para desviar 20% de uma carga de maconha apreendida pela Denar, em Campo Grande. Os investigadores associam o diálogo à apreensão de 793 quilos da droga, em 3 de maio de 2024.
O material integra a denúncia apresentada em 9 de outubro contra o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-chefe da unidade, e outras 22 pessoas. A acusação descreve um suposto esquema de retirada de entorpecentes apreendidos para devolução ao mercado ilegal.
No diálogo, Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, afirma ter procurado um policial para negociar o repasse. Ele menciona uma carga próxima de 800 quilos e calcula que receberia aproximadamente 160 quilos. Um interlocutor não identificado pede mais 30 quilos para uma pessoa que estaria fornecendo informações sobre depósitos de drogas.
O Gaeco atribui a Hoffman a autorização para retirar parte da maconha. As alegações ainda serão examinadas pela Justiça, e o diálogo, isoladamente, não comprova que a quantidade mencionada tenha sido desviada ou entregue.
A denúncia aponta crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de interferência em investigação criminal. O órgão também pede R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
Defesa nega envolvimento
O advogado José Roberto Rosa, responsável pela defesa de Hoffman, afirma que as provas serão contestadas durante a instrução processual. Segundo ele, não há indicação direta de participação do delegado, mas recortes e suposições que serão confrontados com a análise integral dos elementos.
A defesa sustenta que o processo demonstrará que Hoffman não participou dos ilícitos.

