Gaeco mira reforma de R$ 8,5 milhões em hospital; presidente nega desvios
Operação Dirty Pix prendeu três pessoas e apura suspeitas de irregularidades em convênios que ultrapassam R$ 18 milhões
A reforma de R$ 8,5 milhões do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, entrou na mira da segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada na quarta-feira (7). Preso durante a ação, o presidente da instituição, Jacob Meeuvis Breure, negou irregularidades e disse que os fatos serão esclarecidos.
Entregue em dezembro de 2025, a obra recebeu R$ 7,2 milhões de um convênio com a Itaipu Binacional e R$ 1,3 milhão da Prefeitura, conforme informações municipais divulgadas pelo Midiamax. A reforma contemplou enfermarias, cozinha, lavanderia, apartamentos e pronto-socorro, além da renovação do telhado, das instalações elétricas e da climatização.
As suspeitas, porém, vão além da obra. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a investigação alcança convênios superiores a R$ 18 milhões, que também envolvem a compra de equipamentos, materiais hospitalares e uma UTI móvel. Esse valor corresponde aos recursos abrangidos pela apuração, e não apenas à reforma.
Também foram presos a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o assessor político Júlio César Alves da Silva. Ao todo, a operação teve três mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em Sidrolândia, Campo Grande, Maracaju e Selvíria.
A investigação começou com suspeitas de desvios na aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de uma autoclave, equipamentos custeados com recursos estaduais. Depois da primeira fase da Dirty Pix, realizada em novembro de 2025, os investigadores encontraram indícios de que o mesmo esquema teria sido usado em outros contratos do hospital.
O MPMS aponta suspeitas de preços superfaturados, informações falsas nos planos de trabalho e contratações direcionadas. Parte do dinheiro que chegava às contas do hospital teria sido desviada e repassada a agentes políticos e intermediários por meio de sucessivas transferências. Os investigadores também apuram tentativas de obstrução das investigações.
Ao chegar à delegacia, Jacob afirmou estar tranquilo. “Não devemos nada, tudo vai ser esclarecido”, declarou. O advogado Wellison Muchiutti disse que o cliente está à disposição para colaborar e negou ligação ilícita entre ele e os demais presos. A defesa de Júlio informou que ainda não havia tido acesso aos motivos da prisão, porque a investigação tramita em sigilo.

