Projeto prevê ampliar pastagens em fazenda de Corumbá; pedido será discutido em audiência pública em novembro
Além da ameaça dos incêndios, o Pantanal enfrenta a pressão da retirada de vegetação nativa para expansão da pecuária. Em Corumbá, a Agropecuária Cerro Alegre Ltda. pede autorização para suprimir 6 mil hectares na Fazenda Anacã do Corixão II. A área equivale a 60 quilômetros quadrados.
O pedido será discutido em audiência pública promovida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em 12 de novembro, às 19h. A proposta está em análise no processo de licenciamento ambiental.
Com área superior a 16 mil hectares, a propriedade já desenvolve atividade pecuária. Segundo o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), a intenção é implantar pastagens tecnificadas para aumentar a produtividade e a capacidade operacional da fazenda.
Elaborado pela KW Soluções em Engenharia e Meio Ambiente Ltda., o relatório sustenta que a escolha dos locais considerou menor relevância ambiental, baixa conectividade ecológica e predominância de formações campestres e arbustivas já submetidas à interferência humana. Essas são justificativas apresentadas pelo empreendimento e serão avaliadas no licenciamento.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) reúne levantamentos de fauna e flora, possíveis consequências da intervenção e medidas para prevenir ou reduzir danos. O material também afirma não ter identificado comunidades tradicionais, sítios arqueológicos ou patrimônio cultural que possam ser atingidos.
A proposta coloca em discussão a conversão de uma extensa área de vegetação nativa em pastagens no bioma. A audiência será a oportunidade para a população conhecer os estudos, questionar as justificativas e discutir os impactos da intervenção antes da decisão sobre a licença.
O encontro presencial ocorrerá no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Corumbá, na Rua Delamare, nº 1.088, com transmissão pelo canal do Imasul no YouTube.
