Em sabatina na TV Morena, governador também defendeu novos presídios, hospital regional em Corumbá e maior controle sobre contratos públicos
Candidato à reeleição, o governador Eduardo Riedel (PP) prometeu unificar as filas da Saúde, realizar concursos para reforçar a segurança pública e ampliar a rede de combate à violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. As propostas foram apresentadas nesta terça-feira (15), durante entrevista ao vivo ao MSTV 1ª Edição, da TV Morena.
Conduzida pela jornalista Bruna Mendes, a sabatina também abordou as investigações envolvendo contratos no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e na Agraer, a superlotação dos presídios, o apoio político à prefeita Adriane Lopes e a construção de um hospital regional em Corumbá.
Fila única na Saúde
Um dos principais compromissos apresentados por Riedel foi a criação de uma fila única para consultas, exames e procedimentos na rede pública estadual.
Segundo o candidato, Mato Grosso do Sul mantém atualmente cerca de 80 filas diferentes. A fragmentação dificulta o acompanhamento dos pacientes e provoca novas esperas mesmo depois do primeiro atendimento.
Riedel afirmou que aproximadamente 25% das pessoas que conseguem agendar um serviço acabam entrando novamente em outra fila do sistema. A proposta é integrar as demandas e permitir o acompanhamento do prontuário e de toda a trajetória do paciente.
O candidato disse que o projeto já está em desenvolvimento e deverá ser consolidado em um eventual segundo mandato.
Hospital regional em Corumbá
Riedel também prometeu construir um hospital regional em Corumbá. Ele citou as unidades de Ponta Porã, Três Lagoas e Dourados e afirmou que a região pantaneira ainda precisa de uma estrutura própria para ampliar o atendimento especializado.
A proposta busca reduzir o deslocamento de moradores de Corumbá, Ladário e municípios próximos para Campo Grande.
O governador defendeu ainda a manutenção de repasses estaduais aos municípios vinculados à produtividade dos serviços de saúde.
Operações no HRMS e na Agraer
Questionado sobre operações policiais envolvendo o Hospital Regional e a Agraer, Riedel afirmou que o Governo do Estado adota providências quando surgem indícios de irregularidades.
Ele declarou não ter acesso antecipado às investigações, mas disse que mais de 100 empresas identificadas pelos mecanismos estaduais de compliance estão sendo fiscalizadas.
O candidato prometeu fortalecer os sistemas de controle, revisar contratos e ampliar os instrumentos destinados a prevenir fraudes e desvios.
A resposta transfere para os órgãos de controle a identificação inicial das suspeitas, mas mantém o governo sob pressão para explicar por que eventuais irregularidades em áreas estratégicas não foram detectadas antes.
Concurso e novos presídios
Na segurança pública, Riedel defendeu a realização de concursos para reforçar o efetivo da Agepen e de outras instituições estaduais. Também mencionou a necessidade de ampliar a estrutura penitenciária diante da lotação das unidades.
O candidato prometeu construir novos presídios e melhorar as condições de trabalho dos servidores. A proposta, entretanto, exigirá previsão orçamentária, definição do número de vagas e cronograma de execução.
Além da abertura de vagas, o desafio do próximo governo será evitar que a expansão do sistema prisional fique limitada à construção de novas unidades, sem investimentos equivalentes em inteligência, ressocialização e combate às organizações criminosas.
Combate ao feminicídio
Riedel também foi questionado sobre os casos de feminicídio registrados no Estado. Ele defendeu o fortalecimento da rede de proteção às mulheres e maior integração entre segurança pública, assistência social, Saúde e Judiciário.
A violência contra a mulher tornou-se um dos pontos mais sensíveis da campanha estadual, diante da sucessão de crimes registrados em Mato Grosso do Sul.
O candidato afirmou que pretende ampliar as ações de prevenção e melhorar a capacidade de resposta às denúncias. A proposta deverá enfrentar problemas como demora no atendimento, fiscalização das medidas protetivas e falta de estrutura especializada em municípios do interior.
Apoio a Adriane Lopes
A entrevista começou com questionamentos sobre o apoio de Riedel à reeleição da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), em 2024. A administração municipal enfrenta críticas principalmente nas áreas de Saúde, infraestrutura e transporte coletivo.
Riedel disse não se arrepender do apoio. Segundo ele, a responsabilidade pela administração da Capital pertence à prefeita, enquanto o Estado deve manter investimentos no município independentemente das alianças partidárias.
O governador mencionou a instabilidade política enfrentada por Campo Grande na última década e afirmou que resultados administrativos não aparecem de forma imediata.
Relação com o PT
Ao comentar suas críticas ao PT, partido que participou da base governista, Riedel afirmou que a composição de sua equipe nunca foi determinada por indicações partidárias.
Segundo o candidato, secretários e dirigentes foram escolhidos por capacidade técnica e valores pessoais. Ele disse que pretende manter esse critério caso seja reeleito.
Educação, contas e agronegócio
Riedel também respondeu a perguntas sobre controle das contas públicas, diferença salarial entre professores concursados e contratados, expansão das escolas em tempo integral e aumento da produtividade do agronegócio.
O candidato defendeu equilíbrio fiscal para garantir investimentos e afirmou que as políticas públicas precisam ser ampliadas sem comprometer a capacidade financeira do Estado.
A entrevista integra a série de sabatinas da TV Morena com os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul. Delcídio do Amaral (PRD) será entrevistado nesta quarta-feira (16); João Henrique Catan (Novo), na quinta-feira (17); e Lucien Rezende (PSOL), na sexta-feira (18).
A íntegra da sabatina está disponível na reportagem do g1 MS
