O Procon-MS abriu investigação para apurar responsabilidades das empresas envolvidas na organização do show da banda Guns N’ Roses, realizado na última quinta-feira (9), em Campo Grande.
Problemas na logística de acesso ao Autódromo Internacional Orlando Moura provocaram um congestionamento de cerca de 13 quilômetros na BR-262, impedindo milhares de fãs de chegarem ao evento. A rodovia, que é o único acesso ao local e não é duplicada, não suportou o volume de veículos, mesmo com a atuação da Polícia Rodoviária Federal e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
Apesar do início do show ter sido adiado em 1h30 para aguardar a chegada do público, parte significativa dos espectadores não conseguiu entrar, nem mesmo após o começo da apresentação.
Diante da situação, o Procon informou, por meio de nota, que instaurou procedimento preliminar para verificar possíveis responsabilidades da empresa promotora, após receber diversas reclamações de consumidores que, mesmo com ingressos válidos, não conseguiram acessar o evento.
“O Procon Mato Grosso do Sul, instituição vinculada à Sead (Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos), informa que iniciou procedimento de investigação preliminar para averiguar eventuais responsabilidades da empresa promotora do evento, devido à impossibilidade de acesso de consumidores com ingressos válidos ao show”, diz o comunicado.
A empresa organizadora será notificada e terá prazo de 20 dias para apresentar esclarecimentos.
A confusão no trânsito gerou divergências sobre a responsabilidade pelo problema. A Polícia Rodoviária Federal apontou falhas na organização, como atraso na abertura dos portões, ausência de sinalização adequada, falhas no planejamento dos pontos de retenção e lentidão no acesso por conta do controle via QR Code.
Já a assessoria do evento afirmou que a gestão do trânsito é atribuição dos órgãos públicos, destacando que a organização privada não tem competência legal para atuar em rodovias federais ou no sistema viário urbano. Segundo a empresa, o evento ocorreu com autorização e dentro do planejamento aprovado.
O Procon não divulgou o número de reclamações registradas até o momento, mas informou que um balanço será apresentado a partir da próxima semana.
Público ficou preso no trânsito
Com o congestionamento na Avenida João Arinos, principal acesso ao autódromo, cerca de 30% do público estimado não conseguiu chegar ao show.
Relatos nas redes sociais indicam que os fãs ficaram até seis horas no trânsito. Alguns abandonaram os veículos e seguiram a pé, enquanto outros buscaram alternativas, como caronas em motocicletas ou rotas paralelas.
A grande quantidade de veículos na rodovia resultou em frustração entre os fãs, muitos dos quais não conseguiram assistir à apresentação.
A reportagem tentou contato com a empresa responsável pela produção do evento para esclarecer possíveis medidas, incluindo ressarcimento aos consumidores prejudicados, mas não obteve resposta. Nas redes sociais oficiais, não houve posicionamento, e os comentários sobre o evento foram desativados.
Em publicação pessoal, o responsável pela produtora afirmou que os transtornos foram causados por “fatores externos”.
