A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, deve protocolar ainda nesta quinta-feira o pedido de habeas corpus, quase 20 dias após ele ser preso pela morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.
Segundo o advogado Oswaldo Meza, o pedido está em fase final de elaboração. A estratégia da defesa, conforme explicou, foi aguardar a reunião de documentos médicos que embasem a solicitação de soltura.
Já o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, negou o pedido da defesa do ex-prefeito Alcides Bernal para que fosse decretado sigilo na investigação sobre o assassinato do fiscal tributário Carlos Roberto Mazzini, de 61 anos. O magistrado também autorizou que os familiares da vítima acompanhem o andamento do processo.
Bernal alega ser cardiopata, diabético e hipertenso, além de fazer uso contínuo de medicação controlada. A defesa também sustenta o pedido com base em relatório psicossocial produzido após a audiência de custódia.
Outro integrante da equipe, Wilton Acosta, afirmou que não houve demora, mas sim uma decisão estratégica. “Oportunamente será conhecida”, disse.
Pedidos negados
Nos últimos dias, a defesa acumulou derrotas na Justiça. Foi negado o pedido de devolução dos celulares apreendidos durante a investigação, sob o argumento de que os aparelhos ainda são essenciais para a produção de provas periciais.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul sustentou que o inquérito ainda não foi concluído e que os dispositivos podem passar por novas análises.
Também foi rejeitado o pedido para impor sigilo à investigação. O juiz Carlos Alberto Garcete entendeu que o caso não se enquadra nas hipóteses legais que justificariam a restrição de publicidade.
Investigação aponta possível segundo disparo
A investigação conduzida pela Polícia Civil indica que Bernal pode ter efetuado um segundo disparo poucos segundos após o primeiro tiro, que atingiu o quadril da vítima.
De acordo com o delegado Danilo Mansur, há indícios de que o segundo tiro tenha ocorrido entre cinco e sete segundos depois, atingindo a região das costelas.
Um intervalo de cerca de 13 segundos sem registro em vídeo levanta a hipótese de um “tiro de misericórdia”, o que pode enfraquecer a tese de legítima defesa.
Testemunha do caso, o chaveiro ouvido novamente pela polícia confirmou apenas o primeiro disparo e afirmou não ter visto ou ouvido o segundo — versão que, segundo o delegado, deve ser analisada com cautela devido ao estado emocional no momento do crime.
Próximos passos
A polícia ainda aguarda a apresentação, por parte da defesa, do registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e da documentação da arma calibre .38 utilizada no crime.
Enquanto isso, a investigação segue em andamento para esclarecer a dinâmica dos disparos e consolidar as provas que vão embasar a denúncia do Ministério Público.
