As denúncias de assédio sexual e moral atribuídas ao delegado Wellington de Oliveira, feitas por alunas do curso de formação da Academia de Polícia Civil (Acadepol), seguem sob investigação interna e ainda não foram formalizadas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Segundo informações apuradas, o delegado entrou em férias logo após a repercussão do caso. Até o momento, nenhuma das alunas registrou boletim de ocorrência na especializada, após orientação para que a situação fosse tratada inicialmente no âmbito da Corregedoria da Polícia Civil, responsável pela apuração.
As oitivas de alunos e alunas já foram concluídas, conforme o corregedor da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Clever José Fante, que não descarta a possibilidade de novas diligências. Durante o período de afastamento do delegado investigado, ele também assumiu a Ouvidoria da instituição.
A Deam confirmou que não houve registro formal das denúncias por parte das supostas vítimas.
Relatos de assédio
De acordo com estudantes, as acusações envolvem diferentes turmas em que o delegado ministrou aulas. Entre os relatos, há menções a perguntas de cunho íntimo e comentários considerados inadequados. Uma das alunas afirmou que o professor teria feito questionamentos sobre permanência em motel, enquanto outra situação envolveu declarações sobre perfil para atuação como “prostitutas infiltradas”.
Também foram citadas perguntas sobre preferências sexuais dirigidas a alunas, o que gerou indignação entre os estudantes.
Acusações de assédio moral
Além das denúncias de natureza sexual, alunos relataram episódios de assédio moral. Em um dos casos, o delegado teria afirmado que eventuais reclamações não teriam consequência, mencionando sua ligação com o Conselho da Polícia.
O caso foi levado à direção da Acadepol, que formalizou o encaminhamento à Corregedoria. Um documento foi elaborado e assinado por líderes de turma, vítimas e testemunhas.
Críticas à condução do caso
Parte dos alunos e até integrantes da própria instituição criticaram a orientação para que as denúncias não fossem levadas à Deam. Para eles, a gravidade das acusações justificaria investigação também na esfera criminal.
Apuração em andamento
Em nota, a Polícia Civil informou que instaurou um Auto de Investigação Preliminar para apurar os fatos. O procedimento inclui a coleta de depoimentos e análise de informações relacionadas às aulas e ao contexto das denúncias.
A instituição destacou que o delegado já havia concluído a disciplina no momento em que as acusações foram formalizadas e, atualmente, não exerce atividades na academia.
A Polícia Civil ressaltou ainda que a investigação segue os princípios do devido processo legal, com garantia de contraditório e ampla defesa.
Defesa nega irregularidades
Procurado, o delegado Wellington de Oliveira negou as acusações. Ele afirmou que as falas citadas fazem parte de exemplos utilizados em sala de aula para ilustrar situações reais no ensino de investigação criminal.
Segundo ele, os conteúdos abordam temas sensíveis e podem ter sido interpretados de forma equivocada ou fora de contexto. O delegado também destacou que leciona a disciplina há cerca de duas décadas sem registros anteriores de problemas semelhantes.
O concurso da Polícia Civil ocorreu no fim do ano passado, e as aulas do curso de formação tiveram início em 27 de janeiro deste ano.

