Relatório final da Polícia Civil enviado à Justiça conclui que o ex-prefeito Alcides Bernal atirou com intenção de matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, durante crime ocorrido no dia 24 de março, em Campo Grande. Parte da ação não foi registrada por câmeras, e a perícia ainda deve reforçar a tese de execução.
A investigação foi concluída nesta quinta-feira (2), último dia do prazo legal, já que Bernal está preso. No documento, o delegado responsável pelo caso, Danilo Mansur, manteve o indiciamento por homicídio qualificado — por dificultar a defesa da vítima — além de porte ilegal de arma de fogo. O revólver calibre 38 utilizado estava com registro vencido desde 2018, e a autorização para porte expirou em 2019.
De acordo com a reconstituição dos fatos, por volta das 13h, Mazzini chegou ao imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, acompanhado de um chaveiro. Após a abertura do portão, ambos entraram na residência.
Cerca de 40 minutos depois, Bernal chega ao local, estaciona o veículo e, antes de entrar, retira um revólver da caminhonete. Ele segue até o portão já com a arma em mãos, entra na casa e, em poucos segundos, efetua o primeiro disparo.
Segundo o relatório, as imagens de segurança mostram que o ex-prefeito percorre o trajeto da rua até o interior do imóvel armado, caminha em direção à porta de entrada e atira logo em seguida, sem qualquer indicação de confronto prévio.
A versão apresentada por Bernal, no entanto, é diferente. Em depoimento, ele afirmou ter agido em legítima defesa, alegando que a vítima invadiu sua residência e avançou contra ele. A defesa sustenta que os disparos ocorreram por reflexo, com o objetivo de conter uma suposta agressão.
Essa versão é contestada pelos elementos reunidos na investigação. O chaveiro que acompanhava a vítima relatou que não houve reação por parte de Mazzini. Segundo ele, ao perceber a aproximação do atirador, levantou as mãos e se identificou, enquanto Bernal continuava com a arma apontada, aproximando-se da vítima já caída.
Parte da ação ocorreu fora do alcance das câmeras de segurança, o que ainda será analisado pela perícia técnica. Mesmo assim, para a Polícia Civil, o conjunto de provas — incluindo imagens e depoimentos — indica que o crime foi cometido com intenção de matar, reforçando a tese de execução.

