Preso na sexta-feira (13), Vitor Henrique Domiciano de Souza confessou à polícia que utilizava uma chave de fenda e um aparelho eletrônico, descrito como scanner, para abrir e acionar a ignição de caminhonetes Toyota Hilux furtadas em Campo Grande. Segundo o próprio suspeito, a ferramenta servia para forçar a entrada no veículo e, em seguida, o equipamento eletrônico era usado para dar partida no motor.
A Justiça decretou a prisão preventiva no domingo (15), durante audiência de custódia. Vitor é apontado como integrante de um grupo especializado no furto de caminhonetes do mesmo modelo na Capital.
Em depoimento prestado à polícia, ele admitiu ter cometido o furto no dia da prisão, quando foi detido por policiais da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (Defurv). Declarou que precisava de dinheiro e saiu de casa com a intenção específica de furtar uma caminhonete, escolhendo o alvo de forma aleatória pelas ruas. Após ligar o veículo, levava-o para outro ponto da cidade, onde pretendia oferecê-lo a possíveis compradores, ainda sem destinatário definido.
Natural de Americana (SP), o suspeito afirmou morar em Campo Grande desde novembro de 2025, em busca de melhores oportunidades. Disse ter três filhos, de 15, 11 e 9 anos, e que a esposa está no sétimo mês de gestação. Também relatou fazer uso de maconha e bebida alcoólica. Vitor contou ainda que já havia sido preso por furto de veículo em Rio Claro (SP), onde cumpriu pena de um ano e oito meses.
Na delegacia, afirmou que a prisão ocorreu de forma tranquila e que sua integridade física e emocional foram preservadas. Contudo, durante a audiência de custódia, apresentou outra versão. Alegou ter sido vítima de agressões que classificou como tortura, relatando ameaças de morte, socos e chutes nas pernas, costas e cabeça, além de ter sido obrigado a ficar ajoelhado, ter a cabeça batida contra a parede e um saco plástico colocado sobre sua cabeça para sufocamento. Disse não saber identificar os agressores, mas afirmou que um deles seria o delegado da Defurv.
Investigação
A Defurv investigava três furtos de Toyota Hilux registrados em sequência nos últimos cinco dias em bairros da região urbana da Capital, todos com o mesmo modo de atuação. A polícia analisou imagens de câmeras de segurança e realizou diligências até identificar o suspeito e localizar o veículo usado nos crimes.
Vitor foi encontrado em um condomínio residencial nas proximidades da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). No local, os policiais recuperaram uma das caminhonetes furtadas recentemente.
De acordo com a investigação, o suspeito teria vindo de outro estado com o objetivo de cometer furtos em série em Campo Grande. A função dele seria subtrair os veículos e mantê-los em locais considerados seguros até a retirada por outros integrantes do grupo. Ainda conforme a polícia, as caminhonetes abasteceriam uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e seriam encaminhadas para regiões de fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai.
Com a prisão preventiva decretada, Vitor permanece à disposição da Justiça enquanto as investigações continuam.

