A senadora Tereza Cristina liderou, no fim de semana, um movimento que evidenciou a divisão da bancada do Progressistas (PP) no Senado Federal após o presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira, assinar nota da Federação União Progressista em apoio ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento, que também traz a assinatura de Antonio Rueda, manifesta “confiança” no magistrado. A iniciativa provocou reação de Tereza Cristina, líder do PP no Senado, que divulgou carta pública contestando o posicionamento institucional da federação.
Segundo a senadora, a nota “não foi previamente debatida e nem contou com a anuência desta bancada”, razão pela qual não poderia ser interpretada como representativa dos senadores do PP. A manifestação foi publicada nas redes sociais e recebeu as assinaturas de Hiran Gonçalves, Esperidião Amin, Luis Carlos Heinze e Margareth Buzetti.
O posicionamento repercutiu entre parlamentares da oposição. A deputada Bia Kicis elogiou o esclarecimento, enquanto Marcos Pollon parabenizou a senadora pela postura.
No PP de Mato Grosso do Sul, o deputado Luiz Ovando, vice-presidente estadual da sigla, declarou apoio integral à nota de Tereza Cristina. Em manifestação pública, afirmou que o momento exige “coragem, equilíbrio e compromisso com a verdade” e defendeu uma apuração rigorosa e punição exemplar em caso de irregularidades, “seja no Judiciário, no Legislativo ou no Executivo”.
Ovando criticou o que chamou de corporativismo e afirmou que “atos indignos e vergonhosos” devem ser enfrentados com transparência. Para ele, “passar o Brasil a limpo é um dever moral”, destacando o papel dos senadores na fiscalização e no estabelecimento de limites institucionais.
Reações na oposição e na base governista
Outras lideranças também se pronunciaram. O deputado Cabo Gilberto Silva, líder da oposição na Câmara, afirmou respeitar o PP e o União Brasil, mas classificou a nota como um equívoco diante do clima de tensão institucional no país.
O senador Izalci Lucas foi mais duro, chamando o episódio de “vergonhoso” e acusando a federação de atuar como “escudo” para o ministro, ao ignorar decisões que considera arbitrárias. Segundo ele, o que enfraquece o país é o ativismo judicial que desrespeita a Constituição.
As críticas também vieram da base do governo. O deputado Rogério Correia avaliou que a nota foi “inconsistente e desnecessária”, argumentando que a apuração de fatos graves não pode deixar dúvidas e que o STF acabou exposto pela relação atribuída a Toffoli.
Contexto das investigações
A controvérsia ocorre em meio à repercussão de investigações que citam o ministro em mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no âmbito de apurações da Polícia Federal. Diante da exposição, Toffoli reconheceu participação em empresa que negociou a venda de ações de um resort com parente do banqueiro e decidiu deixar a relatoria do processo.
A nota da Federação União Progressista foi divulgada um dia após o Partido Novo protocolar pedido de impeachment contra o ministro, subscrito por parlamentares da oposição. Ao todo, Toffoli enfrenta dez pedidos de impeachment em tramitação no Congresso — quatro relacionados ao caso do Banco Master, apresentados neste ano. Os demais mencionam sanções dos Estados Unidos e questionam a imparcialidade do ministro em julgamentos envolvendo a JBS, da qual sua ex-esposa foi advogada.
