Campo Grande aparece como a 14ª cidade com melhor qualidade de vida entre os 5.570 municípios brasileiros, segundo levantamento do Instituto Imazon, com dados organizados e divulgados pelo perfil Economia Descomplicada.
O bom desempenho no ranking, porém, contrasta com o histórico recente de problemas administrativos na Capital, especialmente ao longo da última década. Nesse período, o município registrou estouro do limite constitucional de gastos com pessoal, com comprometimento superior a 70% da receita corrente líquida, além de despesas obrigatórias que chegaram a 98,7% das receitas.
A cidade também foi impactada por suspeitas de desvios de recursos públicos, sobretudo em obras, como apontado pela Operação Cascalho de Areia, que investigou irregularidades envolvendo o ex-prefeito Marquinhos Trad (PDT), atualmente vereador. Segundo as investigações, os desvios podem ter alcançado R$ 300 milhões, parte dos quais teria sido utilizada para a aquisição de imóveis pelo político.
As apurações também identificaram pagamentos de benefícios a milhares de supostos cabos eleitorais do então prefeito, incluindo empresários, influenciadores digitais e profissionais liberais, embora o programa tivesse como finalidade atender pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Já na gestão de Adriane Lopes, que assumiu a Prefeitura em abril de 2022 após a renúncia do então titular para disputar o Governo do Estado, a administração passou a ser alvo de denúncias relacionadas ao pagamento de supersalários a um grupo específico de servidores municipais.
O conjunto de irregularidades, somado à falta de medidas mais duras para contenção de despesas, empurrou o município para um cenário de forte desequilíbrio administrativo e financeiro, afetando a capacidade de executar até mesmo obras básicas de manutenção da infraestrutura, como recuperação de vias e reparos emergenciais em escolas e unidades de saúde.
Entre as 27 capitais brasileiras, Campo Grande ocupa a segunda colocação no Índice de Progresso Social (IPS), com 69,63 pontos, ficando atrás apenas de Curitiba, que lidera com 69,89. Na sequência aparecem Brasília (69,04), São Paulo (68,88), Belo Horizonte (68,22) e Goiânia (68,21).
No ranking geral, as cinco primeiras colocadas são todas do Estado de São Paulo. Gavião Peixoto lidera com índice IPS de 73,26, seguido por Gabriel Monteiro (71,29), Jundiaí (70,70), Águas de São Pedro (70,51) e Cândido Rodrigues (70,26).
O IPS é composto por 57 indicadores, organizados em três grandes eixos: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Para calcular o índice, o estudo cruzou os dados dos 5.570 municípios brasileiros.
O levantamento aponta ainda um leve avanço da média nacional em relação a 2024, quando o estudo começou a ser elaborado. Apesar disso, o ranking evidencia profundas desigualdades regionais.
“O ranking da qualidade de vida nos municípios escancara as desigualdades regionais. Enquanto 18 das 20 cidades mais bem colocadas estão no Sul e Sudeste, 19 das piores ficam no Norte e Nordeste”, destaca trecho do material divulgado pelo perfil Economia Descomplicada.

