Suave na nave? Giroto desfila pela Capital e se apresenta à PF com SUV avaliada em mais de R$ 150 mil.

A agressão a uma jornalista do site de notícias Midiamax aliada a palavras de baixo calão na última sexta-feira (09) não foram as únicas coisas que chamaram a atenção na apresentação do ex-deputado federal Edson Giroto à sede da Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande (MS) por ser um dos réus acusados na Operação Lama Asfáltica, que investigou organização criminosa que desviou R$ 235 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso do Sul.

O discípulo do ex-governador André Puccinelli, de quem foi secretário de Obras, chegou a bordo de uma SUV da marca Toyota Hilux SW4 2.7 SR 4×2 16v Flex 4 portas automática. Intrigado com a luxuosidade do veículo, o Blog do Nélio resolveu levantar mais informações sobre o “bólido” utilizado por Giroto para se entregar à Polícia Federal.

Após consultas a fontes ligadas ao Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), o Blog do Nélio descobriu que o veículo placa QAK-1211, de Campo Grande (MS), está registrado no nome de Edson Giroto, é modelo 2017/2018, não tem nenhuma restrição junto ao órgão de trânsito e está avaliado em mais de R$ 150 mil pela Tabela Fipe.

QAK-1211
I/TOYOTA HILUX SWSRVA2HF, BRANCA, 2017/2018, MISTO,
CAMPO GRANDE – MS
Chassi: ******50581
Sem restrição

Essa SUV da Toyota é derivada da renovada Hilux, mas se descola da picape no visual, passando a ter identidade própria. Produzida na Argentina, essa SW4 chegou ao Brasil, de série, com ar-condicionado digital, abertura elétrica do porta-malas, banco do motorista com regulagens elétricas, câmera de ré, bancos de couro, central multimídia com tela de 7 polegadas, TV digital e GPS, acesso e partida presenciais, lanternas de LED, vidros, travas e retrovisores elétricos, airbags frontais, laterais, de cortina e de joelho (para o motorista) e controles de tração e estabilidade.

Sob o capô, há duas novidades: a versão mais em conta abandona o motor 2.7 flex, que dá lugar a um novo V6 de 4 litros a gasolina e desenvolve 238 cavalos e 38,3 kgfm, enquanto as configurações diesel adotam o 2.8 de quatro cilindros que estreou na Hilux e gera 177 cv e 45,9 kgfm. Independente do motor, o câmbio é automático de 6 marchas e a tração, 4×4.

O luxo do veículo contrasta com as alegações feitas no ano passado à Justiça pelo ex-secretário estadual de Obras de que estaria passando por dificuldades financeiras e, por isso, vendeu sua aeronave avaliada em R$ 1,9 milhão e também a mansão no Residencial Dhama, que valeria R$ 5,5 milhões. Inclusive, ao rastrear as contas de Giroto para cumprir a liminar de bloqueio por supostas irregularidades nas obras do Aquário do Pantanal, a Justiça estadual só encontrou R$ 14,00.

Influência

Mesmo estando sem mandato desde 2014, preso agora pela quarta veze, réu em quatro ações penais na Justiça Federal e investigado pela Polícia Federal e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) por integrar organização criminosa para desviar recursos, Edson Giroto ainda mantém o prestígio em alta e comanda, indiretamente, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Esse é o órgão federal com mais recursos – orçamento de aproximadamente R$ 700 milhões e é responsável pela manutenção de 3 mil quilômetros de rodovias federais em Mato Grosso do Sul – e cacife político, o mais disputado entre os oito deputados federais e três senadores para indicar o chefe. No entanto, Giroto, mesmo sem mandato e acuado pelas denúncias, conseguiu emplacar o superintendente do DNIT, Thiago Carim Bucker, que foi indicado pela primeira vez pelo ex-deputado em 2015, quando ele era assessor do Ministério dos Transportes e era cotado para assumir o cargo de superintendente-executivo, o número dois da pasta.

No entanto, Giroto acabou demitido pela então presidente, Dilma Rousseff (PT), ao ser alvo da Operação Lama Asfáltica. O ex-deputado teve a prisão preventiva decretada na Operação Fazendas de Lama, segunda fase da Lama Asfáltica, e dormiu no presídio por 40 dias, até ser solto pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, e retornar novamente ao cárcere na sexta-feira (09), quando chegou a agredir a jornalista do site Midiamax.

Giroto é um dos primeiros formalmente acusados pelos desvios praticados na administração estadual entre 2010 e 2014. O MPF o denunciou e o Justiça Federal aceitou a denúncia, tornando-o réu em quatro ações por lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. No entanto, mesmo com todos os bens bloqueados pela Justiça Federal, o ex-deputado continua forte nos bastidores e até sonhava em disputar as eleições deste ano.