Dono do Shopping China negociou diretamente com doleiro Messer, afirma MPF. E ele nada sabe nada viu!

Os procuradores da República do MPF (Ministério Público Federal) do Rio de Janeiro apontam que o empresário paraguaio Felipe Cogorno Álvarez, dono do Shopping China, manteve uma comunicação direta com o doleiro brasileiro Dario Messer e que ele ajudou a esconder o dinheiro que o ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes, deu para ajudá-lo enquanto ele era fugitivo. O empresário negou qualquer ligação com o doleiro e apontou para um cambista uruguaio como o responsável pelas operações.

O nome de Felipe Cogorno Álvarez é recorrente nos relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O empresário, diretor do Grupo Cogorno e administrador do Shopping China, é apontado como um dos responsáveis por ocultar os US$ 500 mil que o ex-presidente paraguaio Horacio Cartes deu para financiar o doleiro Darío Messer enquanto ele era fugitivo.

Felipe Cogorno já tinha sido investigado pelas autoridades brasileiras por supostas ligações com o o chamado “Escândalo do Banestado”, um caso que envolvia o sistema financeiro público brasileiro. Os investigadores revelaram em seus relatórios que o empresário mantinha contatos constantes com Najun Turner, um cambista uruguaio que já havia sido vinculado a outros casos de corrupção no Brasil.

O empresário paraguaio apareceu no telefone como “doleiro” sob o nome “Felipe Shopping”. As mensagens que foram trocadas entre eles foram posteriormente encaminhadas ao então fugitivo Dario Messer. Em janeiro deste ano, Turner pediu ajuda a Cogorno porque um “Alberto” precisava ocultar US$ 500 mil. Quando o paraguaio perguntou quem era Alberto, foi informado que ele era o “irmão de alma” de Horacio Cartes.

Turner até se ressente de uma mensagem de Messer na qual ele falou dessa quantia. Os investigadores brasileiros apontam que existem duas linhas usadas por Cogorno: 09719750– e 09841895–. Messer tinha os dois números registrados em seu diretório como “Alberto China”. Em um deles não havia contato direto com o doleiro, mas em outro sim.

O próprio Messer disse a Turner, a quem ele havia registrado como “Tesouro”, que falava com “Felipe” e que foi ele quem sugeriu uma mudança de casa para economizar seu dinheiro. Além disso, foram encontradas mensagens trocadas diretamente entre Cogorno e Messer, nas quais a primeira facilitava os contatos de Édgar Aranda e José Valdez, ambos da Fe Cambios, onde o dinheiro estava oculto.

Os investigadores também apontam que Felipe Cogorno recebeu Myra Athayde, namorada de Dario Messer, em Assunção, capital do Paraguai, e a acompanhou até a sede da Fe Cambios para abrir a conta pela qual eles transferiram o dinheiro de Messer.

Messer chegou a dizer à advogada Leticia Bóbeda que poderia pedir a Cogorno que a acompanhasse para negociar os termos de uma eventual rendição à Justiça do Paraguai. Ele mencionou isso várias vezes.