Disputa por indicação em lista sêxtupla para desembargador coloca OAB de MS em pé de guerra.

 

No vídeo acima o advogado Marcelo Barbosa Martins se revolta e protesta na reunião da OAB-MS

Conchavo. Prostíbulo. Armação. Carta marcada. Vendidos. Mentirosos. Vergonha!

Palavras ouvidas nessa sexta-feira, 29-04, dentro do plenário da OAB/MS – Ordem dos Advogados do Brasil, uma entidade outrora respeitada pela classe e pela sociedade hoje se digladia na hora de indicar uma lista de seis nomes de advogados para a vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado.

Os nomes serão avaliados pelo TJ e, destes, três indicados para o veredito final do governador Reinaldo Azambuja.

alexandre-bastos

Alexandre Bastos

Em primeira votação, foram eleitos Alexandre Bastos, que recebeu 31 votos, Honório Suguita, com 28 votos, e João Arnar, 27 votos. Já em segundo pleito, Gabriel Abrão Filho recebeu 25 indicações e José Rizkallah Junior teve 23, sendo os escolhidos em questão. A última vaga precisou de duas votações, que terminou com Rodolfo Souza Bertin sendo eleito, com 17 votos, após disputa direta com Fábio Trad.

Ao todo, 17 advogados participaram da seleção, que contou com análise de 35 conselheiros da OAB.

Segundo advogados ouvidos pelo Blog do Nélio, a lista não causou estranheza porque, uma vez que todos sabiam que havia um compromisso de campanha entre o presidente da entidade, Mansour Karmouche e o advogado Alexandre Bastos, que hoje integra o quadro de confiança do governador Reinaldo Azambuja por ter trabalhado na campanha e ser amigo pessoal do filho do governador, Rodrigo Azambuja, que estagiou em seu escritório. Tanta força tem que indicou o presidente do Detran de MS e sócio, Gerson Claro.

Isso faz de Bastos o favorito na lista tríplice.

fabiotrad

Fabio Trad

Por outro lado, não causou surpresa tirarem o Fábio Trad da lista, mesmo porque quando ele foi presidente, o agora desembargador Luiz Tadeu, a OAB escolheu-o por ser compadre do ex-governador André Puccinelli.

O feitiço virou contra o feiticeiro.

O quinto constitucional perdeu, faz tempo, sua finalidade, pois o atual desembargador Sérgio Martins, o desembargador Carlos Eduardo Contar, o desembargador Luiz Tadeu e o desembargador Paulo Alberto foram escolhidos por serem amigos o ex-governador Puccinelli.

joaoarnar

João Arnar

Já os indicados Alexandre Bastos e o João Arnar poderão figurar como escolhidos porque tem relações com o atual governador.

Para dar continuidade nessa linha, o desembargador João Batista da Costa Marques foi escolhido pelo ex-governador Zeca do PT porque era amigo do seu irmão, Heitor Miranda.

Enfim, vamos reescrever a constituição, pois além de notório saber jurídico e reputação ilibada o candidato tem que ter “cumpadrio” com o governador da hora.

Um detalhe. O último da lista dessa sexta-feira, Rodolfo Bertin, só entrou para fazer volume, porque além de inexpressivo, não tem mais que 40 anos de idade.

Conchavos de OAB são notórios hoje, e a postura do atual presidente, Mansour Karmouche que, para dissimular, absteve-se de votar. Uma posição de pura estratégia de manipulação.

Um outro advogado consultado pelo Blog deixa claro que a  eleição indireta é um modelo arcaico e superado.

Na última sessão do ano passado o então vice-presidente, atual presidente, Mansour Karmouche, defendeu a ideia da eleição semi-direta.

Embora tivesse toda condição de implantá-la, não o fez, não cumprindo sequer a promessa de fazer uma audiência pública na entidade para a classe discutir o tema.

De um presidente da Ordem, o que se espera é que tenha posição.

Hoje, sob o discurso de que não faz política de grupo,  decidiu votar em branco. Não convenceu.

As deficiências insuperáveis desse modelo de eleição, que reduz a poucas lideranças o poder de escolha dos advogados que irão disputar no Judiciário e no Executivo a nomeação para um cargo vitalício.

DESABAFO

Advogar é lutar pela igualdade de direitos, é lutar contra privilégios e contra a concentração de poder, ainda que para isso o advogado tenha que desagradar autoridades ou quem quer que seja.

Não podemos nos conformar que uma escolha dessa natureza fique refém das vicissitudes de dois ou três aprendizes de cacique. E muito menos que nossa entidade seja governada por quem não está disposto a sair de cima do muro.

Comentários estão bloqueados