COFFEE BREAK: Que o PGJ não ia denunciar, todo mundo sabia. Mas por que Brites teve tanto medo?

brites e puccinelliDesde dezembro do ano passado quando chegou ao gabinete do Procurador Geral de Justiça, Humberto Brites, o primeiro relatório da Coffee Break, que aflorou a repugnância explícita do chefe do MP de MS pela investigação. Primeiro a discordância foi interna causado mal estar no Gaeco e nos promotores e policiais que trabalharam no caso.

Depois vazou para a imprensa que o relatório seria inconsistente. Cópias chegaram aos principais veículos de comunicação da Capital.

O PGJ mandou o procedimento de novo para o Gaeco que acrescentou dados bancários e fiscais dos investigados, que até o final do ano não havia chego.

O que Humberto Brites fez? Guardou na gaveta. Supomos que o procurador tenha lido atentamente tudo o que estava escrito lá e seus personagens sórdidos, que tramaram por dinheiro, chegar ao poder em Campo Grande usando a Câmara Municipal como via obrigatória.

Ele vai deixar o comando do MP semana que vem, mas com tantas evidências e provas, porque o procurador Humberto Brites não denunciou?

Será porque ele é próximo ao ex-governador André Puccinelli que o conduziu duas vezes para comandar o MP de MS?

Puccinelli aparece em vários depoimentos dos investigados como sendo um articular de reuniões para definir como a Câmara e seus vereadores aliados deveriam agir.

A ligação de Brites e Puccinelli transcendeu os dois poderes. O irmão de Brites, Gilson de Matos Brites, dono da empreiteira  GMB, conseguiu muitos contratos no governo passado, principalmente por ser do PMDB ele realizou obras para várias prefeituras do interior.

A GMB é citada na Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal e teria mais de duas dezenas de milhões de reais apreendidos pela Justiça.

Vale ressaltar que em dezembro do ano passado o ex-governador e seus asseclas faziam visitas constantes ao PGJ, inclusive no período noturno. Fontes dizem que Brites foi duramente pressionado a barrar a investigação e até mesmo transferir o promotor Marcos Alex, que chefia o Gaeco, para outra função.

Essa quase irmandade com Puccinelli rendeu outros movimentos de Brites em favor do ex-governo que chegou a chamar a atenção da Polícia Federal.

Dia 20 de maio de 2015, a PF envia ao STJ um pedido para abertura de investigação contra Brites, que foi enviado para o TJMS.

No pedido haviam argumentos que mostram “ligações perigosas e criminosas” de Brites  com o ex-governador André Puccinelli, com o ex-secretário de obras do Estado, Edson Giroto, envolvendo outros personagens.

Já na inicial, o Departamento de Polícia Federal de MS pede a interceptação telefônica do PGJ, Humberto Brites. O pedido revela a importância e envergadura que a PF pretendia alcançar com as investigações.

Os argumentos da PF são inicialmente baseados numa denúncia anônima relatando tráfico de influência e corrupção generalizada em MS. A possível atuação criminosa do ex-governador André Puccinelli e do então deputado federal, Edson Giroto, juntamente a empreiteira GMB, do irmão de Humberto Brites, Gilson Brites, teriam tornado a empresa uma das grandes vencedoras e prestadora de serviço em obras em Mato Grosso do Sul. Em troca, Brites “aliviaria” as coisas erradas cometidas por Puccinelli e sua turma.

A construtora GMB também teria construído uma sede de uma promotoria no interior do Estado com a intermediação de Brites, segundo a Polícia Federal.

 

CONCURSO DA SEFAZ-MS
Em outra plataforma a PF fala que as ações do PGJ. O tema seria o concurso público para agentes tributários que teria sido manipulado pelos próprios fiscais com a indicação do ex-governador André Puccinelli e do promotor Alexandre Saldanha, responsável pelo pedido de arquivamento de uma ação que pedia a nulidade do certame.

Nesse caso a atuação de Brites seria no sentido de afastar a promotora Paula Volpe que questionava a legitimidade do concurso para deixar na mão de Saldanha a responsabilidade de arquivar a ação.

OPERAÇÃO SANGUE FRIO
A Polícia Federal volta a colocar a atuação do PGJ, Humberto Brites, e do procurador Antonio Siufi (atualmente corregedor-geral substituto do MP), em dúvida durante a Operação Sangue Frio que investigou e denunciou a máfia do câncer no Estado.

Nas interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, Siufi Neto cometeu o crime de advogacia administrativa, por patrocinar, pessoalmente,  interesses privados junto a administração pública valendo-se da qualidade de servidor público. Siufi teria interpelado junto ao PGJ, Humberto Brites, em favor de seu parente Adalberto Siufi, diretor do Hospital do Câncer e alvo da investigação na instância estadual.

O motivo do pedido ao PGJ era trocar a promotora do caso, Paula Volpe, que estava denunciando as mazelas no HC. Situação quase idêntica no caso da Secretaria de Fazenda do Estado de MS. Foi instaurada uma reclamação disciplinar a respeito.

Nas escutas telefônicas da operação, segundo a PF, “ficou comprovado que Humberto disse a Siufi que “uma palavra do governador era uma ordem para ele”.

Humberto Brites chegou a revelar para o Fantástico em matéria que foi ao ar em 2013, que era costumeiro o recebimento de investigados em seu gabinete. No caso em questão do médico Adalberto Siufi, que foi pedir para ele afastar a promotora Paula Volpe e também pedir ajuda do ex-governador André Puccinelli.

REPRESENTAÇÃO
Letras da Polícia Federal. “…entendemos haver fortes elementos no sentido que o Procurador Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Humberto Brites, atua em defesa de interesses privados em detrimento de interesses públicos, o que resulta em crimes de peculato e corrupção dentre outros, contanto com o auxilio, para tais possíveis crimes, do promotor de Justiça, Alexandre Pinto Capiberipe Saldanha, indicando a existência de uma organização criminosa enraizada na cúpula do Poder Público Estadual de Mato Grosso do Sul voltado a prestigiar os interesses privados em detrimento do público, fazendo-se necessária realização uma investigação criminal em face dos mesmos.”

O Tribunal de Justiça engavetou o pedido e o decano do MP, Sérgio Morelli, que ficou de analisar o caso até agora leva as denúncias em ritmo lento, próximo do engavetamento também.

Agora, no mês de maio, quando assume o novo chefe do MPE, Paulo Passos, é que cresce a expectativa da denúncia.

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Evitando falar sobre o assunto, Matos Brittes limitou-se a dizer que seis promotores de justiça ainda estão analisando o relatório entregue pelo coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), promotor de justiça Marcos Alex Vera de Oliveira. “São 5 mil documentos que estão sendo analisados, e acredito até que o doutor Paulo Passos vá levar ainda um bom tempo para analisar o caso”, resumiu o atual procurador-geral do MPE.

A operação levou o nome de Coffee Break, em referência ao termo usado por vários investigados, que ao se referirem a pagamento de propina, falavam em “cafezinho”.