Ivanildo Cunha será o 1º a esquentar cadeira no MPF

Procurador-chefe do MPF, Emerson Siqueira e Ivanildo Cunha

Um dos primeiros depoimentos que devem começar a desembolar o emaranhado de corrupção que envolve o Estado depois das delações dos donos da JBS deve ser justamente de um dos operadores do esquema, Ivanildo da Cunha Miranda, segundo fontes do Ministério Público Federal, que está a cargo de ouvir a extensa lista dos acusados.

O procurador-chefe, Emerson Siqueira, e o procurador Marcos Nassar  (Combate à Corrupção e Eleitoral), estão terminando de analisar a documentação vinda da Procuradoria Geral da República sobre as denúncias.

Ivanildo, como sendo o foco central das denúncia e ter flutuado, de acordo com as delações, no governo de André Puccinelli e também do atual governador Reinaldo Azambuja, deve inaugurar as oitivas a partir da próxima semana ou mais tardar no início de julho.

Como as informações vieram da Procuradoria Geral da República para o Ministério Público Federal de MS, os procuradores passarão a contrapor a delação de Joesley e Wesley Batista com os personagens pantaneiros citados.

Ivanildo, que foi apontado pelos “irmãos coragem” como principal operador do ex-governador André Puccinelli, do PMDB, foi  amplamente citado na operação Lama Asfáltica da Polícia Federal que investiga desvio de dinheiro público em obras do Estado, agora aparece também na Lava Jato.

Relatório da Operação Fazendas de Lama, deflagrada pela Polícia Federal em maio do ano passado como segunda fase Operação Lama Asfáltica, foi finalizado em abril deste ano e encaminhado à 3ª Vara da Justiça Federal da Capital.

De acordo com o jornal eletrônico Midiamax, durante cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão, a PF encontrou na casa do ex-governador Puccinelli nota promissória que revelava suposta compra de fazenda de propriedade de Mauro Cavalli – apontado pela PF como suposto “laranja” do ex-governador – para Ivanildo Cunha. Quem aparecia como avalista da negociação era o então candidato ao Governo do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB).

O valor da transação apurada pela PF e feita em outubro de 2014 foi de R$ 2,1 milhões em dinheiro e mais R$ 2,7 milhões em cabeças de gado. O fato da promissória ter sido encontrada na casa de Puccinelli chamou a atenção dos investigadores, que decidiram se debruçar sobre o caso.

Em depoimento à PF, André disse que nota assinada por Ivanildo e supostamente por Azambuja como avalista só estava na casa dele porque Mauro Cavalli teria pedido ao então governador ajuda depois de Ivanildo desistir da transação.

As informações repassadas à PF pelos investigados indicam que dias depois de fechar o acordo com Cavalli, Ivanildo teria desistido da compra em razão da localidade da área de 758 hectares de uma propriedade de mais de 4,3 mil hectares. A localização e o nome da fazenda não foram revelados pela PF.

Diante da desistência, Mauro disse aos investigadores que procurou André porque sabia da relação dele com Ivanildo e, por isso, acreditava que o pecuarista voltaria atrás se fosse convencido por Puccinelli. Dias depois, no entanto, outra pessoa teria se interessado na compra e a interferência do então governador não foi mais necessária. André disse aos investigadores que nunca conversou com Ivanildo sobre o assunto.

Depois de analisar várias documentações e colher os depoimentos, a PF concluiu que as alegações de Mauro e Puccinelli não são verdadeiras. Para a corporação, Mauro seria “laranja” de Puccinelli e a nota promissória apenas mascarava uma transação de propriedade rural que, na verdade, pertencia ao ex-governador. Os investigadores acreditam que a fazenda foi adquira com dinheiro ilícito.

A lista, com pelo menos 251 nomes indicados por Ivanildo, entregue pelo delator Wesley Batista ao STF ainda será alvo de apuração no supremo. Uma das empresas que aparece várias vezes no documento como possível emissora de notas frias ao grupo JBS é a Força Nova Comércio de bebidas, que a reportagem apurou pertencer a Ivanildo.

O nome de Ivanildo é o que mais se repete na lista apresentada por Wesley Batista ao supremo. O próprio Ivanildo ainda não se manifestou sobre o assunto, a reportagem tenta há vários dias contato com a defesa do pecuarista, que ainda não se posicionou sobre as delações.

SITUAÇÃO DELICADA E RIVAIS ABRAÇADOS

A situação é tão delicada, que já provocou até compadecimento entre adversários ferrenhos, como no caso em que o deputado federal Zeca do PT, tentou amenizar a colocação de uma tornozeleira eletrônica no ex governador André Puccinelli, chegando ao ponto até de defender que fosse aguardada a finalização das investigações. Em outros tempos esse fato seria motivo mais do que suficiente para um foguetório, no entanto é visível o acuamento da classe política.